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A inverossímil transformação de um repelente natural contra os insetos, produzido por uma árvore, no ouro branco da explosão da borracha teve início há quase quinhentos anos.
Os exploradores europeus do Novo Mundo começaram a fazer referências esporádicas e anedóticas a um material elástico usado pelos índios, um produto derivado de sucos que fluíam de árvores.Contudo, o primeiro julgamento científico do material foi realizado em 1736.
Os primeiros estudos da borracha, como o de várias descobertas científicas, foi resultado de uma digressão em torno de uma missão específica. A Real Academia de Ciências da França enviara uma expedição à América do Sul para solucionar um debate sobre o formato da terra: a Lei da Gravidade de Newton estabelecia que o planeta não deveria ser uma esfera perfeita, mas sim ligeiramente achatada nos pólos e encorpada no Equador.
A idéia era realizar medições celestes precisas ao longo do Equador e depois compará-las com aquelas feitas por outra turma de cientistas no Círculo Ártico, bem no interior da Lapônia. Charles Marie de La Condamine, um geógrafo e naturalista de trinta e cinco anos, e Pierre Bouguer, astrônomo,matemático e hidrógrafo, de trinta e oito, planejaram penetrar no interior do continente partindo da costa peruana a fim de concluir a medição equatorial. Os dois homens ficaram durante várias semanas numa aldeia na foz de um rio, à espera da chegada de seus guias e observaram o meio usado para iluminar seus cômodos à noite: uma tocha com sessenta centímetros que produzia uma luz forte e constante, não escorria cera como acontece com uma vela e,após doze horas consecutivas acesa estava queimada apenas pela metade. Tratava-se de um bastão feito com um material negro e resinoso, enrolado numa folha de bananeira. Na viagem feita em seguida, pelo interior, rumando para a cidade de Quito (mais tarde capital do Equador), depararam com este mesmo material sendo usado para diversas finalidades.
A 24 de junho de 1736, La Condamine enviou amostras do material para Paris, acompanhadas por um bilhete. Segundo a tradução feita por Austin Coates em The Commerce in Rubber: The First 250 Years*, o bilhete dizia: "Nas florestas da província da Esmeraldas cresce uma árvore que os nativos chamam Hhévé (os espanhóis escrevem Jévé); através de uma simples incisão ela deixa fluir uma resina branca igual a leite; ela é colhida no pé da árvore em folhas especialmente espalhadas para este fim; em seguida é exposta ao sol, e após isto ela endurece e fica marrom, primeiro na parte externa e depois na interna. Tão logo cheguei a Quito, tomei conhecimento de que a árvore que libera esta substância também cresce ao longo do Rio Amazonas, e que os índios maïnas chamam-na Caoutchou; moldes de barro no formato de uma garrafa são cobertos com ela; eles quebram o molde quando a resina endureceu; estas garrafas são mais leves do que se fossem de vidro e não estão sujeitas à quebra".
Um novo talho é feito na casca de uma seringueira diversas vezes por semana. O látex líquido escorre do talho e cai numa xícara colocada contra o tronco, apoiada num ramo com forquilha em Y. Aqui um seringueiro recolhe o látex que se solidificou após ter ficado por muitos dias dentro da xícara. Árvores que salpicam a floresta menos civilizada do mundo – e colhido da mesma forma há cento e vinte anos – estava para ser usado em automóveis e luvas cirúrgicas, até mesmo nos pneus dos ônibus espaciais e por você também através da DAMASSA Arte em Látex ILtda.
Cordialmente Christiane Mikoszewski e Joel Moreno.
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