| O combate define-se pelos três pilares de uma crítica total da política que existe, pela rejeição dos cantos de sereia, e pela memória sem fim: fora de moda, lido pelos que preferem a insubmissão à comodidade, o combate sabe o que a esquerda esquece, conhece os fundadores, lê Marx ou Lenine, lembra a coluna Durruti ou os fuzilados de Moscovo, Sacco e Vanzetti ou Miguel Enriquez. O combate viveu ocupações e movimentos urbanísticos populares, discussões e afrontas sobre a propriedade, movimentos contra as propinas, mobilizações pelos direitos das mulheres, o combate fez campanha por Bobby Sands, reclamou os direitos dos soldados e fez renascer o anti-papismo, descobriu os meandros da justiça e das prisões, pensou sobre o direito dos doentes e discutiu todas as dependências, das drogas à Televisão. Ao longo de tantas edições, fez-se um dos inventários críticos mais profundos e insistentes da imprensa portuguesa. Tudo isso foi partilhado por redactores, colaboradores e leitores. Foi assim porque queremos, não estamos a dever nada a ninguém. De fim de século, dirão os jornalistas de uma imprensa tradicional à procura do título magazinesco. Pois, de fim de século, porque o artificialismo de uma construção brutalizante, regida por banqueiros frenéticos e por monetaristas destemperados, se vai impondo contra um começo que podia e devia ter significado convivência em paz e cooperação social. A Europa que resiste em alternativa só pode sobreviver se se desenvolver a partir do socialismo, do respeito dos direitos nacionais e da defesa do programa mais importante que tem que redefinir a esquerda: a luta pelo pleno emprego. Cidadania e direito ao trabalho, o direito à vida contra o direito à propriedade, a opção é concreta e imediata, em nome de dezenas de milhões de excluidos. E esse tem sido este combate. Sim, para transformar o mundo é preciso compreendê-lo. Ao longo de duzentas provas, o combate mostrou que pode haver uma na imprensa portuguesa. Porque não nos contenta a representação sem apresentação nem a delegação sem opinião. Porque a ideia e a informação, o debate, o esclarecimento, a confrontação, e finalmente a escolha não são produtos e não os colhemos em mercados. Saber e informar não é consumir: é produzir. E por isso os direitos cidadãos não se podem restringir ao pobre horizonte de uma imprensa comercial, de televisões escandalistas e de rádios publicitárias: informar é ganhar o direito de dar opinião, de olhar e interpretar, de contar e de discutir. O combate assume esse papel, toma posição, luta por ideias. É a excepção que desafia a regra. |
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